O presente é uma forma de mudar o passado empurrado para o futuro.
Deitado em meu cárcere de liberdade surdo-me mudo.
Vou viver a ignorância para que a dança ponha-me idade.
Tijolos caem todos os dias de minhas construções moribundas.
Na cabeça de que?
Caudalosas curvas de meus nervos furiosos.
Respondam!
Na cabeça de quem eu martelo?
Não sei.
Não saberei, pois os poucos que se importam.
Deram-se ao luxo de serem tímidos.
Em uma mundo de frenéticos extrovertidos imagéticos.
Caravaggio Folk
Escrevo para não matar a ideia, pobre dela que não teve culpa de nascer, em uma mente passível de esquecer.
domingo, 19 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
A poesia jaz em algum lugar escondido,
Dentro de todo lugar.
Onde os ouvidos veem.
Onde as mãos escutam.
Onde os olhos pegam.
O que está por todo ar,
O mais difícil de achar.
Controles para o que não é meu.
Não vendem no mercado ali da esquina.
O que doma o imaterial,
Não trabalha no circo nem na loja de animais.
Mistério é mistério.
Que fiquei aqui o mais veloz do eterno,
Que amanha posso estar velho,
E minhas letras não falarem mais.
sábado, 6 de abril de 2013
,
A brisa do ventilador ventila,
Mas não tira a dor.
Tem barulho de chuva,
Mas não tira o calor.
Tem vento apresado
Mas não trás chuva.
O tato é sopro em pele molhada,
O tempo é claro de miragem ensopada.
Calor
Giram paletas cortando o ar
Voando perdidas no mesmo lugar
Para onde vão?
Presas por função.
Para onde vão?
Se não o teto, um canto, ou o chão.
E porque não vão.
Penso que choram seus sonhos de avião.
Enquanto no avião.
As outras choram seus sonhos de chão.
domingo, 31 de março de 2013
.,
o campo está cheio
eu queria saber por onde ando
mas não saberei
contento-me com os passos
a semana está ai para passar outra vez
o mês também
os anos me encaram de perto
olhos nos olhos com uma face que não existe
o futuro tem a cara escura
tenho medo do passar
preciso lembrar que meus olhos estão abertos
não há como garantir isso
tento lembrar
cortei uma pá de coisas da minha cabeça
não saiu nada dela
os cabelos ainda crescem
a barba ainda cresce
os graus ainda aumentam
os passos largos se engolem
um zumbi correndo pela cidade tem fome de que?
se fosse apenas de carne
haveria de ser mais fácil viver.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Para lembrar que um dia é diferente do outro mesmo que o nome seja sempre o mesmo
Não se pode falar de domingo em pleno sábado.
Mesmo que de alguma maneira seja domingo no outro hemisfério.
Eu me recuso a aceitar.
Não se pode falar de domingo em plano sábado.
Não é domingo amigo.
É sábado.
Me recuso a falar de domingo em pleno sábado.
Me recuso!
Pois se falar, no domingo posso estar a falar de segunda,
e assim na segunda falar da terça e na terça falar da quarta,
e assim sucessivamente acabaria por falar de todos os dias que não vivi.
Mesmo que de alguma maneira seja domingo no outro hemisfério.
Eu me recuso a aceitar.
Não se pode falar de domingo em plano sábado.
Não é domingo amigo.
É sábado.
Me recuso a falar de domingo em pleno sábado.
Me recuso!
Pois se falar, no domingo posso estar a falar de segunda,
e assim na segunda falar da terça e na terça falar da quarta,
e assim sucessivamente acabaria por falar de todos os dias que não vivi.
segunda-feira, 25 de março de 2013
.
Pouca cor
Há seu sabor
Leve
Daqueles que a língua busca
Gosto
Demora
Sorri de meia boca
Porta bem fechada para não fugir gosto
Leve
Pouca cor
Daquelas que os olhos buscam memória
Para preencher a falta.
domingo, 24 de março de 2013
Bem aqui estou
Após meses desligados a volta,
Não há de ter sido nada.
Não há de ter sido nada.
Aqui onde ninguém via, sumiu, ninguém viu.
Mas de cá da tela o mundo continua.
Dai, não sei se faltou o que existia aqui.
Nunca saberei.
Voltei.
Desligado por um objetivo,
Voltando sem o ter comprido,
Talvez apenas pretexto do acaso.
Uma dica seguida, para um ajuste de foco.
Era preciso estar ao máximo no mundo real.
Era preciso respirar tudo o que aconteceu.
E foi o que fiz, respirei,
Mas não sei o quando de ar digeri.
De novo aqui, hoje cheio de pó.
Um pó com peso de casa aberta em avenida movimentada.
Aqui, lar das ideias de mais um.
Esse um outro, de eu gritante,
Por meses calado, agora retornado.
Retornado de um mundo que nesses meses,
Entornou muito.
No mesmo dia do poço eu vi teus olhos,
No mesmo dia chorei,
Por lutos e sorrisos.
Há coisas de mais no mundo,
Sinto-me provocado.
Provocado a viver e ter de lidar,
Eu herdei o amor.
Eu herdei a dor.
Eu herdei a existência,
Seu céu nos sentimentos e nas sensações,
Seu inferno nas incertezas, na depressão, nas perdas.
Eu vi lagrimas de uma dor tão profunda,
Que não tive palavras para mensurar sua amargura.
Eu vi o amor tão perto que me considerei eterno,
Mesmo tendo visto a prova de que não o sou.
Não sou?
Sou?
Escrevo aqui meses calados,
Gritados no plano da vida,
Do pulo a queda,
Da esperança à ausência.
Não pedi paraquedas,
Apenas pulei.
Tomei o peso de estar ocupado na hora errada,
Tomei a leveza dos braços certos na hora exata.
Ouvi sabias palavras.
Decidi que minha missão é tentar ligar fios,
Ajudar a fagulhar mentes encharcadas por suor.
Suor de sobrevivência.
O mais necessário extinto,
Criado para manter a vida.
Mas para quê manter a vida?
Se não para encontrar suas saídas?
Enfim aqui acabo esse desabafo,
Totalmente sem sentido,
Para os que aqui perdidos,
Venham a ler.
Mas que sai como um gemido,
Um grito contido criado em um longo curto período.
Aqui jaz como dito por uma Fada,
Um texto de ano novo,
Bem empoeirado e sem sentido.
Mas cheio de vida vivida.
Que venha a luz que deve vir.
Meus olhos estão abertos.
E que se foda minha fotofobia.
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